O varejo mundial vive uma transformação silenciosa, mas cada vez mais visível: lojas estão se tornando cafés.
Marcas de moda, luxo e lifestyle passaram a incorporar cafeterias, bares e até restaurantes dentro de seus espaços físicos, criando ambientes híbridos que misturam compras, gastronomia e experiência de marca.
A tendência ganhou força nos últimos anos e vem sendo adotada por empresas como Louis Vuitton, Ralph Lauren, Armani e Tiffany & Co., que passaram a investir em restaurantes e cafés ligados às suas lojas e flagships ao redor do mundo.
A lógica por trás desse movimento é clara: oferecer algo que o comércio eletrônico não consegue entregar. Experiência.
Lacoste entra no food service com café em Paris
Um dos exemplos mais recentes dessa tendência veio da tradicional marca francesa de moda esportiva Lacoste.
A empresa inaugurou em fevereiro de 2026 o Café Lacoste, seu primeiro café permanente, localizado no 8º arrondissement de Paris, próximo à Champs-Élysées e à principal loja da marca.
O projeto foi desenvolvido em parceria com o grupo internacional de hospitalidade Giraudi Group e busca levar para a gastronomia o mesmo universo estético e cultural da marca.
No espaço, elementos do tênis e das cores clássicas da Lacoste aparecem na decoração, enquanto o cardápio apresenta releituras contemporâneas da culinária francesa. Segundo a empresa, o café representa uma extensão natural do lifestyle da marca, transformando a loja em um espaço de convivência e experiência compartilhada.

Café Lacoste, Paris.
Experiência virou estratégia de varejo
Esse movimento não é isolado. O chamado “varejo experiencial” vem sendo adotado por marcas em todo o mundo como resposta ao crescimento do comércio online.
Ao integrar cafeterias e restaurantes às lojas, empresas buscam aumentar o fluxo de visitantes, prolongar o tempo de permanência no espaço e fortalecer o relacionamento emocional com o consumidor. Na prática, o café deixa de ser apenas um produto e passa a ser parte da narrativa da marca.
No Brasil, a estratégia ainda aparece com mais frequência em ativações temporárias ou experiências de marca. Um exemplo foi o Blue Box Café, da Tiffany & Co., que funcionou como pop-up em frente à loja da joalheria no Shopping Iguatemi, em São Paulo. O espaço foi inspirado no universo do filme “Breakfast at Tiffany’s” e rapidamente virou atração entre consumidores e fãs da marca.
Esse tipo de projeto mostra como a gastronomia pode se tornar uma ferramenta de posicionamento e relacionamento com o público.
Moda, café e lifestyle
A união entre moda e gastronomia vem se consolidando como um novo território de marca.
Mais do que vender roupas, joias ou acessórios, empresas passaram a investir em ambientes que combinam design, cultura, gastronomia e convivência.
Para o setor de food service, a tendência abre novas oportunidades de negócio e parceria, aproximando o mercado de alimentação do varejo e do entretenimento.
E, ao que tudo indica, esse movimento está apenas começando.
